segunda-feira, 25 de maio de 2015

Convite Para Jantar


Convite para jantar

Cá estou para o convite
rodeado de estrelas cintilantes
que saltitam na garrafa de champanhe
para o brinde da amizade

Sente-se a paz
a solidariedade de momentos
vividos no minuto
coberto de pérolas

O Sol aconchega-se no horizonte
e a melodia de Mozart soa no ar
A sala é serena a meia luz
O sorriso dança entre os pratos

São momentos eternos
cheios de solidariedade
por entre a conversa
Entretanto...

A janela abre-se
e uma pomba branca
espalha o néctar dos deuses
na serenidade do amor fraterno.


Pedro Valdoy

A Ausência


A Ausência

As estrelas brilhavam
no firmamento
a Lua estava meia adormecida
e eu sonhava

Sonhava com minha
infância perdida e passada
quando eras pequenina
com os lírios da ingenuidade

Dei-te um beijo na cara
um beijo brejeiro e envergonhado
as estrelas dançavam
quando cantavas como um rouxinol

Então despertei desapontado
já tinhas saído para sempre
e nem uma despedida suave
recheou nosso quarto

O sol entrou pela janela
no pátio as crianças brincavam
jndiferentes e desconhecedoras
do que acontecera

Triste e solitário
levei as crianças
à escola
perguntaram por ti

Mas a ausência era perpétua
esqueceste-me por completo
rodeado pelas cinzas do passado
pus o meu coração em liquidação

Abandonado pelo passado
esperançado pelo futuro
surgiu uma alma jovem
que comprou meu coração.


Pedro Valdoy

domingo, 24 de maio de 2015

São Rosas


São Rosas

São rosas rosas do meu destino
que florescem na amargura
de uma alma sofrida
sentida pelo sofrimento

Sentem-se como lágrimas
no choro de uma criança
com amargura e tristeza
das pétalas que se soltam

Mas seu aroma
belo e fértil na folhagem da vida
espalha-se no engano
de um povo mártir

Sou poeta triste com lágrimas
a chegar ao fim da carruagem
como uma rosa a cair
para o esquecimento...


Pedro Valdoy

Poema da Saudade


Poema da Saudade

Por entre os lírios
crisântemos e rosas
indaguei pela porta da saudade
disseram-me que não sabiam
onde era

Por entre o vento
as nuvens e o Sol
disseram-me que não sabiam
da existência de tal porta
As lágrimas correram-me pelo rosto

Desesperado sentei-me
no rochedo perto da praia
Então do mar soou
uma voz arrastada pelas ondas
uma voz infantil

Seria a voz da minha infância?
Seriam os cânticos do passado?
Estaria ali o portal da saudade?
Então as ondas se abriram
e convidaram-me a passar

Ouvia gritos de alegria
e a saudade da minha voz
entrou de mansinho
levantada por um pedestal
Dali avistei o passado

A tua alma estava presente
por tempos recuados
talvez esquecidos
A minha infância dançava
por entre gnomos e duendes

E ali passei para o futuro
coberto de recordações
de saudade em te ver
em espaços longínquos
no túnel do amor.


Pedro Valdoy

Som de Uma Guitarra


Som de Uma Guitarra

No dedilhar das cordas
na melodia da guitarra
uma voz serena e pausada
entoa o fado esquecido
da minha vida

Na sonoridade da minha alma
se canta o fado dedilhado
em palavras cobertas
pelo teu amor debatido
em prantos de uma criança

No solar a viola desgarrada
acompanha a tua voz
no fado paradisíaco  sonoro
por entre notas musicais
de letras encaixadas

O silêncio da metáfora
chora o fado encantado
por entre uns copos
cobertos de recordações
na voz que encanta o vazio.


Pedro Valdoy

O Outono


O Outono

O calor saltara
para as praias
prenhas de vida

Os dias oscilavam
com as horas sem descanso
os minutos corriam céleres

Então viera a maravilha
dum tempo perene
constante

As árvores despiam-se
do seu manto
e as folhas dançavam no ar

Era a beleza da natureza
com ventos e chuva perdida
chegara o Outono

E o céu cobria-se de nuvens
que dançavam ao sabor do vento
enquanto o Sol se escondia.


Pedro Valdoy

Chuva


Chuva

Cai chuva
no meu coração
talvez de um amor
esquecido

São gotículas
como setas
que caem do céu
a lembrar que ainda existes

Não   esquecido não estou
Aquele amor perdurou
e ainda hoje
o sinto
no palpitar do meu coração

Lembras-te
daquele jardim
onde o rouxinol
entoava seus trinados
em nosso redor?

Virás
como uma gota de chuva
de novo ao meu encontro?

Então
cânticos celestiais
entoarão em teu louvor
e as lágrimas de felicidade
cairão aos teus pés.


Pedro Valdoy

Amizade


Amizade

Sinto-me desolado
numa rua deserta
sem carinho
numa solidão imensa

Meus passos
com o peso da amargura
parecem pedras
na calçada

Desiludido me sinto
mas ouço ao longe
a Flauta Mágica
do Mozart

De repente as estrelas
parecem fogo de artifício
a acompanhar aquela magia
e senti uma nuvem a rodear-me

Mas... não sei porquê
uma porta se abriu
e alguém me chamou
com o sorriso talvez de Deus

Eu entrei
e chamaram-me amigo
e então as luzes se acenderam
com o milagre da amizade

Com o canto da Flauta Mágica
com o sorriso daquele homem
que me chamou amigo
surgiram as lágrimas da felicidade.


Pedro Valdoy

Interlúdio


Interlúdio

No olhar do mocho
a sabedoria eterniza-se
na ingenuidade da criança
a ignorância apaga-se

Surgem as memórias do tempo
Que avassalam o Universo
Com o brilho estrelar
No silêncio de uma noite

São gotas de mel
No horizonte da esperança
Que se espalham alegremente
Numa noite de Verão.


Pedro Valdoy

Lua


Lua

No sabor do luar
deslizam nuvens
na brancura eterna
rasgando vales
`
Através da bruma
oscilam a ternura
e o amor dissecado
por dois seres esquecidos

Na planície vertiginosa
vibra a amizade
no esquecimento
dos tempos vertiginosos

São chamas que se criam
na secura das terras
na berma do rio
veloz   infindável

É a criança que eras
na ingenuidade das flores
na caruma dos caminhos
pela etérea saudade.


Pedro Valdoy

Inocência


Inocência

Na brisa do tempo
na ingenuidade de uma tulipa
uma criança saltita
na intemporalidade
no esquecimento perene
com uma boneca de trapo
No amarfanhar do baú
a alegria     a felicidade
transpõem níveis ao segundo
de um relógio desgarrado
na panorâmica de uma montanha
decadente no cinzento
de um quadro esquecido

O sorriso da criança ultrapassa
um canto esquecido
do quadro pendente
na verdura de um jardim
com abelhas sonantes
na busca do mel
pela maravilha do cheiro
de flores atraentes
pela nudez do seu néctar

O meu acordar se dilui
na pureza do banco
do jardim
com os sorrisos das crianças
na inocência das suas idades
com um abraço ternurento
que me desfaz de um pesadelo
impossível.


Pedro Valdoy

sábado, 23 de maio de 2015

Rumo às Estrelas


Rumo às Estrelas

Sondei o Universo
perdido na bruma do passado
como uma simples avezita
fui ter com as estrelas

Estavam bonitas
reluzentes e simpáticas
com o brilho belo e feliz
no silêncio dos séculos

Disseram-me que sim
que queriam falar comigo
saber quando regressava de novo
e então disse-lhes alegremente
quando o Nosso Mestre o entender


Pedro Valdoy

O Violino


O Violino

O violino chora em sons
maviosos na delícia
no acompanhamento ao piano

São notas melodiosas
de um concerto a dois
na macieza do espectáculo

São belas e suavizantes
no torpor do teclado
e por cordas viçosas

É o despertar de um século
de Beethoven a Mozart
por ruelas esquecidas

A sonoridade dos dois instrumentos
atravessa minha alma ressequida
na alvura dos tempos.


Pedro Valdoy

Silêcio


Silêncio

Na sombra do silêncio
humedeciam tuas palavras
na sensatez de um Inverno
coberto de um manto de neve

Na falsidade dos tempos
soavam os ecos da serenidade
por campos secos de friagem
no encontro de uma gaivota

São sílabas perdidas
nas vielas descampadas
na solidão inquieta
pelo sabor da paz.


Pedro Valdoy

A Borboleta


A Borboleta

A borboleta esvoaçou
alegremente e em liberdade
por entre os campos
com toda a sua vaidade

Era linda
como o meu amor
transportava fragrância
saltitava de flor em flor
e ela ficou maravilhada

Eu fiquei solitário
por entre as flores
eram mantos de crisântemos
que dançavam com o vento

As abelhas andavam excitadas
com beijos de cetim
e eu solitário
sentia o perfume
de um amor que não vinha

Adormeci com pesadelos
esquecidos pelo vento
na melodia dos tempos
sem a tua presença

Quando acordei
senti teu corpo
com um manto de beleza
e a borboleta sorria.

Pedro Valdoy